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Pessoas- Película - Magali Moraes

pessoas-película O Insulfilm é dramático. Ele encobre a visão, deixa tudo mais denso e pesado. Até aí, nenhuma novidade. Mas ontem, olhando para o céu através de uma janela com película - e um céu já carregado de chuva - eu me dei conta de que o Insulfilm é too much. É drama demais para um vidro que deveria nos ajudar com a transparência.
E não é só ele, não. Tem muita gente com película. São os que amam sofrer e narrar o seu sofrimento. Os que se acham uma espécie de azarados-privilegiados. Tudo com eles é pior, é mais sério e problemático. A nuvem deles é sempre maior que a nossa. Dá vontade de procurar a pontinha do Insulfim e puxar, para ver como eles ficam.
As pessoas-película são como vidro preto de carro preto. A gente não consegue enxergar o que tem lá dentro. Então elas se escondem, se protegem, fazem questão de aumentar a carga dramática. Como se a vida já não tivesse drama o suficiente. Essas criaturas mais carregadas que céu de temporal acabam nos deixando tensas.
Eu sei que tenho os meus momentos Insulfilm. Todo mundo tem. A diferença é que se alguém sadio percebe que está com película, dá logo um jeito de abrir uma fresta, clarear as ideias, enxergar além. Nem que seja preciso quebrar o maldito do vidro.
A pessoa-película, não. Se bobear, ela tasca mais uma camada de preto em cima.

(Magali Moraes)

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