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Os sete pecados capitais - A Gula - Cecilia Egreja

a gula A gula, segundo o nosso Aurélio, é o apego excessivo a boas iguarias. Ou seja, aquele desejo insaciável de possuir, de consumir o objeto de prazer.
A gula compete, sem dúvida, com a luxúria entre os mais irresistíveis dos sete pecados capitais. Aliás, estão estreitamente ligadas, se complementam.
Tudo começou com a maçã. Por causa de uma simples maçã, e de uma serpente ardilosa, carregamos o pecado da gula.
Somos Adão e Eva sem paraíso e nem precisamos mais de serpentes. Nos dias de hoje, a tentação só permanece naquilo que não conseguimos alcançar.
Há pouco tempo, quando o romantismo era a máscara da cobiça, mulheres e homens utilizavam os prazeres da gula com o propósito de conquistar e prender o seu amor. Veja bem, tudo começava com o jantar. O predador fartava a moça de boa comida e de bom vinho. Saciada, a presa estaria menos resistente ao abate.
Por outro lado, a mulher sempre que convidava seu pretendente para uma visita, o enchia de guloseimas tentadoras, era uma verdadeira orgia gastronômica. E o rapaz, acreditando que iria ser sempre assim, se apressava em pedi-la em casamento.
Porém, após anos de convivência, a gula costuma se desvencilhar da luxúria, retomando sua essência pura.
O vinho do jantar romântico ou a champanhe das comemorações deram lugar a engradados de cerveja, acompanhados de futebol, amigos e quilos de picanhas mal passadas.
A mulher, cheia de carências, devora caixas de chocolates enquanto reclama do marido. Depois, faz da balança o seu atroz juiz e da celulite, sua punição. Mulher nenhuma se culpa pelo seu tempo de Eva, apenas tem saudade.
A gula, mesmo fora de moda, está mais autêntica, fiel aos seus princípios e para tanto, oficializou o domingo como o dia da ressaca e da comilança. E o casal de gordinhos, de tão fartos que estão, esquecem até mesmo de pecar... 

( Cecilia Egreja )

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