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Versão Feminina

Monólogo de um defunto – Wagner Alves

Monólogo de um defunto Acordei.
Ainda estou morto?
Ainda.
Mas a porta do inferno está um pouco mais longe.
O que pode ser um bom sinal.
Até me deu vontade de fazer alguma coisa.
Beleza.
Estou quase vivo.
Mas sei que ainda estou na dimensão da morte, porque ainda sinto o chão molhado e ainda estou nu.
Preciso ter muito cuidado, não posso deixar que os outros percebam que estou morto.
Isto definitivamente não é bom.
Vou fazer como eu sempre faço.
Esperar.
Uma hora passa.
E se não passar?
Sempre passa.
Lembra?
Sempre passa e sempre volta.
E vai ser sempre assim?
Gostaria que não.
Tente se manter longe da porta do inferno.

( Wagner Alves)

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