
— Mãe, estou escrevendo na última página da Criativa.
— Da onde, meu filho?
— Da revista Criativa, mãe. Não conhece? Vende uns 500 mil exemplares por mês.
— Só? O Oscar, disseram que tinha 1 bilhão vendo. É revista de arquiteto, meu filho?
— Não, mãe. Revista de mulher.
— Pelada?
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Não lhe conheço o rosto
nem a voz
nem a cor
Mas tenho-lhe amor
Disfarça a face
nas imagens em que se abre
e se fecha
em segredo
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Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
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A sua lembrança me dói tanto
Eu canto pra ver
Se espanto esse mal
Mas só sei dizer
Um verso banal
Fala em você
Canta você
É sempre igual
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A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.
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Eu também já fui brasileiro
moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude.
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.
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Fui extenso, limitado, fui belo, fui pródigo, fui profano, fui...
Hoje nada sou, de mim resta quase nada, muito pouco, não mais o bastante, talvez lembranças, sonhos, mas foram-se as ilusões.
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